A Aldeia

Brotas é uma freguesia do concelho de Mora, com uma área de cerca de 83,15 km2 e com uma população de 451 habitantes, dados de 2011.

 

Fazendo fronteira com o Ribatejo e a pouco mais de uma hora de Lisboa, quem passa pela aldeia de Brotas pode desprender-se do quotidiano e desfrutar do sossego do campo.

 

Até ao ano de 1834, a freguesia de Brotas pertenceu ao concelho de Águias, que recebeu foral em 1520. A sede deste concelho foi inicialmente a povoação de Águias, tendo passado no final do século XVIII para o Concelho de Mora, ao qual atualmente pertence.

 

Com cerca de quinhentos anos de história e um invulgar património arquitetónico, a aldeia de Brotas é um local aprazível e especial. Uma típica aldeia alentejana, com casas baixas, de paredes caiadas, com um risco colorido sobre as ombreiras e sobre as portadas. Decoradas com o tradicional mobiliário da região, estas casas reproduzem o espírito do Alentejo rural e intemporal.

 

São várias as hipóteses colocadas para a proveniência do topónimo de Brotas. Poderá estar associado à existência de abróteas, planta abundante na região em tempos, mas também poderá ter derivado do vocábulo galaico-português burata que significa buraco ou cova, ou ainda, pode eventualmente ter resultado da evolução linguística do termo brotes, cujo significado surge ligado ao verbo brotar.

 

À semelhança de tantas outras povoações, Brotas nasceu devido à presença de uma pequena ermida existente onde hoje está implantado o imponente e invulgar Santuário de Nossa Senhora de Brotas. Trata-se de um caso muito peculiar, no qual as primeiras construções civis que formaram o pequeno e inicial aglomerado urbano, designado de Barroca de Nossa Senhora de Brotas, foram mandadas erguer por romeiros, organizados em confrarias, como aliás, as lápides, ainda hoje existentes, o confirmam.

Natureza

A natureza e o meio envolvente da Aldeia de Brotas é Alentejo em estado puro. Uma paisagem pouco moldada pelo homem como se pode ler neste pequeno texto, de tradução livre, e datado de 1751.

 

“Em todo o território desta freguesia, e do termo desta Vila das Águias, pela maior parte matoso, pela parte oriental, e de sudoeste que é a maior extensão da freguesia, são terras fortes, e de barros, que produzem excelentes trigos, e da mesma forte tudo o mais em mediana quantidade. Para norte a maior parte da terra de areia, e dá centeio em grande abundância. Tem grandes arvoredos de pinhal, azinho e sobro, que suprem a sua esterilidade que seria menos, se fosse mais curiosa a diligência de seus moradores, porque tem muitos, e largos vales com abundância de águas nativas todo o ano, com que poderá fabrica boas fazendas”.

 

Podem as águas já não correr tão abundantemente, mas são estes arvoredos de pinhal, azinho e sobro que moldam a paisagem. Debaixo das suas sombras pastam os mais diversos animais em regime extensivo. Muitos em produção método biológico. De onde depois de transformados vêm aqueles fumeiros que tanto nos enchem as papilas gustativas. São sob as suas copas e entre elas que se apanham muitas das iguarias selvagens a que o receituário gastronómico vai fazendo referência, como verdadeiros pitéus dos Deuses.

 

A juntar a esta diversidade não podemos esquecer a flora endógena de onde saem óleos aromáticos e doce mel bem apaladado pelo laborioso trabalho das abelhas. Mais a fauna selvagem que se vai vendo por estes campos fora correndo e saltando. Não deixe olhar para cima para ver o azul deste céu único, repleto de aves pelo dia e pelas estrelas nas noites calmas e serenas do agora, nosso Alentejo.

Património

A aldeia de Brotas e as suas imediações possuem alguns monumentos e centros de interesse que podem ser visitados. De seguida, apresentam-se alguns desses exemplos.

 

A Igreja de Nossa Senhora das Brotas, ou Igreja Matriz de Brotas, classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1956. O edifício tem origem no século XVI, mas já era local de peregrinação desde o século XV, devido, segundo a lenda, à aparição de Nossa Senhora, que milagrosamente curou uma vaca. O teto e a cruz da capela-mor são do século XVI, mas a decoração foi feita com azulejos no século XVII e com mármores neoclássicos no reinado de D. Maria I. A varanda exterior com altar é também do século XVII.

 

conjunto de edifícios da Igreja Matriz de Brotas, o qual se assemelha a um bairro e dava apoio às peregrinações dos romeiros das Irmandades de Nossa Senhora das Neves. Todas as casas possuem dois pisos e algumas têm escadaria de acesso aos varandins. Nas imediações pode ver-se ainda uma fonte com uma bica e uma pia retangular, bem como o Santuário de Nossa Senhora das Bro­tas.

 

A Torre das Águias que se localiza na povoação de Águias, freguesia de Brotas, e está situada nas vizinhanças do rio Divor e do santuário de Nossa Senhora das Brotas também é um muito bom exemplo do que se pode visitar. Integrava a chamada vila das Águias, da qual ainda subsistem algumas casas. É um dos exemplares mais significativos de torres manuelinas na região, embora careça de urgente intervenção de consolidação e restauro. Construída a partir de 1520 por D. Nuno Manuel, guarda-mor do rei D. Manuel I (1495-1521), esta torre, um solar senhorial, era utilizada para repouso dos fidalgos nas caçadas de grande montaria, frequentes naquela época nesta região. Também se conjetura que a edificação da torre estaria ligada ao culto de Nossa Senhora das Brotas, no santuário vizinho. Classificada como Monumento Nacional pelo Decreto n° 136 publicado em 23 de Junho de 1910.